O menino que falava várias línguas

Pela primeira vez na vida, reafirmando para eu mesma que o pior do pânico e da ansiedade haviam passado, resolvi me dar um presente.


E de impulso reservei um chalé numa pequena e aconchegante cidade de interior.


Esperava encontrar silêncio e cheiro de mato para colocar minhas ideias em ordem, longe da civilização.


O problema é que sou uma pessoa que gosta de mato, mas com conforto, se não existe uma pessoa assim, prazer, você acaba de conhecer.


Mas enfim, onde entra o menino do título na história? Após jantar resolvi dar uma volta e sons de crianças na quadra me chamaram a atenção, no primeiro momento fiquei irritada afinal aquele barulho iria atrapalhar meus planos de se conectar comigo mesma.


Mas ao mesmo tempo, não queria gastar meu dinheiro passando raiva, pra isso eu já tinha minha casa mesmo.


Procurei um banco em frente ao chalé, sentei e comecei e prestar naquela movimentação.


Giochiamo a calcio*

one, two, three

Mãe, ele perdeu o chinelo...


Tudo isso assim numa sequência e internamente me senti meio analfabeta de línguas com meu parco inglês e experimentos no italiano.


Mas o universo tem suas formas de atender nossos desejos e que nem sempre são do jeito que imaginamos, e assim ali compreendi que tudo que precisamos está dentro de nós mesmos, um tanto clichê, mas que temos tanta dificuldade de compreender.


A capacidade de aprender um idioma, administrar pensamentos e colocar ordem neles está dentro do único espaço que de verdade é nosso, e que está revestido pela nossa pele.


Nesse mês das crianças que possamos voltar a nossa infância e se conectar com a leveza da vida e a eterna vontade de aprender.


*vamos jogar bola




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